Como representação metafórica do samba no cinema e na sociedade
brasileira, existem duas sequências exemplares. Numa chanchada da
Cinédia dirigida por Luiz de Barros, Samba em Berlim - 1943, uma
veterana porta-bandeira de Escola de Samba (negra) é substituída por
outra mais jovem, a cantora Linda Batista (branca), homenageia a
antecessora com uma canção de Herivelto Martins (branco). O tom solene
de cerimônia, o olhar triste da negra e o aspecto triunfante da cantora -
assim como a letra da música - fazem dessa cena admirável bem mais do
que ela realmente mostra. Atualmente, torna-se impossível assisti-la sem
ter em mente a excessiva comercialização dessas agremiações outrora
comunitárias, assim como o seu"branqueamento", provocado pela
infiltração da classe média e até de turistas estrangeiros. Em Rio Zona Norte
- 1957, o humilde sambista Espírito da Luz (Grande Otelo), farto de
vender parceria das suas composições, comparece à Rádio Nacional e
aborda a grande intérprete Ângela Maria. Mostra seu samba, escrito num
papelzinho meio amassado, que é imediatamente aceito e cantado
divinamente. É um dos mais comoventes números musicais do cinema
nacional, mostrando nas suas entrelinhas uma dura realidade, ainda hoje
não completamente extinta:o amadorismo que cerca as atividades dos
compositores populares e o star-system dos meios de comunicação, que
adquirem uma nova leitura por ser o compositor negro e humilde e a
grande cantora uma mulata clara, quase branca, num processo acelerado de
assimilação pela sociedade dominante. Video retirado do site: http://www.youtube.com/watch?v=ofkOf_2Qn2E
Imagem retirada do site: www.historiadocinemabrasileiro.com.br/samba-em-berlim/
Nenhum comentário:
Postar um comentário